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terça-feira, 19 de maio de 2020

ARAUCÁRIA| Justiça acusa empresário de matar funcionária de supermercado após briga por causa de máscara

Justiça tornou Danir Garbossa réu por homicídio e outros crimes; decisão também arquivou investigação sobre o segurança envolvido na confusão. 

Imagens de câmeras de segurança mostram a confusão entre segurança e cliente que se recusou a usar máscara, em Araucária — Foto: Reprodução/RPC
A Justiça aceitou a denúncia e tornou réu o empresário acusado de matar uma funcionária de um supermercado em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, após uma confusão motivada pelo uso de máscara.

O empresário Danir Garbossa, de 58 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), na quinta-feira (14), pelos crimes de homicídio, lesão corporal e por infração de medida sanitária.

A denúncia foi aceita na segunda-feira (18), pela juíza Débora Cassiano Redmond, da Vara Criminal de Araucária.

A funcionária Sandra Ribeiro, de 45 anos, foi baleada no supermercado onde trabalhava, depois de uma confusão entre Garbossa, que se recusou a usar a máscara, o segurança do estabelecimento.

O uso de máscara passou a ser obrigatórias por decreto municipal um dia depois do caso. Na data do ocorrido, havia uma recomendação do uso, segundo a prefeitura.

No despacho desta segunda-feira, a magistrada também decidiu pelo arquivamento da investigação contra o segurança do supermercado Wilhan Soares, de 28 anos, que se envolveu na briga com o empresário.

De acordo com a Justiça, Soares agiu em legítima defesa. Ele chegou a ser preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas foi solto após pagar fiança de R$ 10 mil.

O segurança não havia sido denunciado pelo MP-PR.
Sandra Ribeiro morreu atingida por um tiro, em Araucária, após uma confusão em um supermercado. — Foto: Reprodução/RPC
A juíza destacou que as imagens de câmeras de segurança e relatos da denúncia apontam que o empresário tentou se apoderar da arma do segurança, "momento em que ele, procurando repelir injusta agressão se utilizando de meios necessários aplicados de forma moderada, efetuou o disparo".

Ainda segundo a decisão, "fica exposto que Danir Garbossa não só provocou as agressões físicas que ocasionaram o embate entre ele e Wilhan, como permaneceu sobre o segurança buscando alcançar algo com as mãos mesmo após a efetivação do disparo que atingiu Sandra Ribeiro".

O que dizem as defesas

O advogado Ygor Nasser Salmen, que defende Danir Garbossa, disse que o recebimento da denúncia era esperado, "em razão da declarada parcialidade existente no processo". Segundo a defesa, a o crime foi tipificado de forma equivocada.

O advogado classificou o vigilante armado como "despreparado, sem qualquer função dentro de um estabelecimento comercial com grande rotatividade de pessoas" e disse que o funcionário escolheu o uso de uma arma letal, mesmo possuindo outras armas não-letais.

A defesa do empresário reclamou que o vigilante tenha saído sem "qualquer responsabilização" criminal.

"A verdade é que no processo penal não existe vencedor, enquanto alguns buscam o êxito a qualquer custo, do outro lado temos uma família desestruturada e que chora a morte do seu ente querido", concluiu o advogado.

A defesa do segurança Wilhan Soares informou que ele agiu em legítima defesa no caso. De acordo com o advogado João Teixeira, não houve despreparo por parte do funcionário.

Teixeira ressaltou que o segurança foi agredido com socos no rosto pelo empresário, que tentou pegar a arma. Soares, segundo a defesa, está "muito abalado pelo ocorrido, pelo fato de sua colega ter perdido a vida".

"Vai responder quem deu causa a toda essa tragédia. Infelizmente, uma trabalhadora acabou falecendo por causa da atitude do cliente do supermercado, concluiu o advogado.

O advogado Igor José Ogar, que defende a família da vítima, informou que confia no poder judiciário e que a defesa lutará "de forma intransigente, para que o senhor Danir Garbossa, seja levado as barras do Tribunal do Júri".

Segundo a defesa da família, o caso deve ir a júri popular "para que a sociedade de Araucária, decida se aquele ato covarde merece uma severa reprimenda ou não".

O advogado destacou que o crime configura caso de homicídio doloso.

Por G1 PR 

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